terça-feira, 22 de julho de 2014

Comunidades da Ilha de Boipeba/BA lutam para defender território de mega projeto imobiliário

Por assessoria de comunicação do CPP Nacional 
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A Ilha de Boipeba é considerada uma das mais lindas do mundo

Comunidades de pescadores artesanais, marisqueiras e quilombolas da Ilha de Boibepa, no município de Cairú, Bahia, vêm sendo ameaçadas pela implementação do Projeto Turístico-Imobiliário Fazenda Ponta dos Castelhanos, criado em 2001 pela empresa Mangaba Cultivo de Coco Ltda. Os grupos tradicionais da região estão em luta para que se debata o processo de licenciamento do empreendimento, que já tem parte aprovada pelos órgãos ambientais, e a maneira como ele chega ao território, em que deve prevalecer o diálogo e o respeito às comunidades.

No dia 03 de julho, aconteceu uma audiência pública na qual as populações locais deixaram claro o repúdio pela forma como o projeto é implementado. Para as comunidades, tudo está sendo feito de forma obscura e sem diálogo. “No começo, nós nem sabíamos quem havia comprado o terreno. O comprador ficou escondido e começou a cercar algumas passagens e intimidar ações das comunidades”, denunciaram os moradores.

O empreendimento milionário prevê a ocupação de 20% da Ilha de Boipeba com a construção de 69 lotes para residências fixas ou de veraneio; condomínio com 32 casas; três pousadas de grande porte; aeroporto; um pier para 153 embarcações; campo de golf de 18 buracos; além de parques de lazer; estradas e infraestrutura de água e telefonia.

Em contrapartida, não propõe soluções para o acréscimo de quase 260% de lixo, nem para os diversos impactos ambientais que o próprio projeto aponta, relacionados às agressões ao meio ambiente e às consequências na pesca, na mariscagem e no extrativismo, além da ameaça à biodiversidade da região. Muitas das obras irão invadir áreas de pesca e mergulho, desmatarão boa parte do mangue preservado, atacarão áreas de guaiamum, dentre outras irregularidades já  apontadas pelas entidades ambientais.

Da maneira que está sendo desenvolvido, o projeto representa uma ameaça ao modo de vida, ao território e à própria existência das comunidades tradicionais locais, que há séculos conservam aquele ambiente, uma das mais belas Ilhas do planeta.

A advogada Kassira Bonfim, que acompanha os trâmites e defende o interesse da participação das comunidades no processo, esteve presente na audiência do dia 03 e relatou a determinação e conhecimentos demonstrados pelos pescadores e marisqueiras."Um projeto de padrões milionários ofertando às comunidades todas as vantagens estereotipadas do mundo capitalista, mas aquela população teve a lucidez e sabedoria de dizer não em proteção do seu modo de vida, dos seus princípios, das suas crenças, numa demonstração da envergadura moral que eu sempre vi neles", relata a advogada.

A luta das populações locais reivindica sua maior participação no processo da chegada do mega empreendimento à Ilha. Os moradores pedem o redesenho do projeto de modo que atenda as necessidades locais e respeite seu modo de vida e o próprio meio ambiente. Cabe aos órgãos ambientais envolvidos, Inema e IBAMA, desacelerarem a maneira desordenada e impositiva que o mega empreendimento chega à Ilha de Boipeba e escutar o lado de quem realmente conhece e vive a região.

Movimento de luta e denúncias

Em 2013, a população fez um apelo à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável, mas até hoje não obteve resposta. Agora, os moradores fazem um abaixo-assinado online pedindo a atenção, cuidado, estudo, fiscalização e proteção às questões ambientais e das comunidades tradicionais relacionadas ao licenciamento do projeto. O intuito é chamar a atenção da sociedade para o caso.

No último dia 19, em reunião com advogados, os moradores discutiram o direito de serem preservados como comunidades tradicionais e como participar melhor do processo de licenciamento, além da necessidade de se criar condições para que o projeto abra-se à comunidade para ouvi-la e interagir de forma saudável. A reunião ainda levantou as ameaças e intimidações que a população vem sofrendo para se afastar das praias. Pontuaram, inclusive, a ilegalidade de lotes em toda a costa cercando manguezais sem a presença do órgão da União competente.

Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras

Assim como os moradores da Ilha de Bopieba, inúmeras são as comunidades tradicionais que sofrem com o avanço de grandes projetos e com a política desenvolvimentista adotada pelo Estado brasileiro. Nesse contexto, o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), há dois anos, trabalha a Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras, que propõe um projeto de lei de iniciativa popular que reconhece, protege e garante o direito ao território de pescadores e pescadoras artesanais de todo país.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Leme - Semana do Pescador e da Pescadora Artesanal

Já está no ar o boletim informativo do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), O Leme, dos meses junho/julho de 2014. Esta edição traz uma entrevista com o representante do Coletivo Internacional de Apoio aos Pescadores Artesanais (ICSF) na Bélgica, Brian O’Riordan, sobre a aprovação das diretrizes mundiais para a pesca de pequena escala, importante marco para o setor. O Leme apresenta também as atividades desenvolvidas por comunidades pesqueiras de todo país em homenagem ao dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores e pescadoras artesanais. Além disso, cultura, mística e as últimas notícias sobre a pesca artesanal podem ser conferidas no decorrer do material.

Boa leitura!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O que a pesca artesanal significa para você? Homenagem da ANP ao Dia do Pescador e da Pescadora Artesanal

Para homenagear o Dia do Pescador e da Pescadora Artesanal, 29 de junho, integrantes da Articulação Nacional das Pescadoras (ANP), vindas de diversos estados do país, reuniram-se em um vídeo para dizer o que a pesca significa para elas, o que é ser pescadora artesanal. Se emocione com essas mulheres fortes e de luta.

Clique na imagem link para assistir o vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=LQvc2bB3X8U&feature=youtu.be

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Dia do Pescador e da Pescadora Artesanal – Entrevista com Nego da Pesca

Por assessoria de comunicação do CPP Nacional 

Na semana que antecede o Dia do Pescador e da Pescadora Artesanal, 29 de junho, trouxemos uma entrevista especial com o pescador do município de Serra, no estado do Espírito Santo, Manoel Bueno dos Santos, conhecido como Nego da Pesca. A beleza de ser pescador é retratada por Nego assim como as diversas ameaças pelas quais as comunidades pesqueiras de todo Brasil estão passando. O pescador ainda reafirma a importância da Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras, e lembra que essa é uma importante ferramenta para a preservação do modo de vida desses grupos tão importantes para a sociedade. Confira a entrevista.

foto nego
Ascom: Quando você começou a pescar? Imagina-se fazendo outra atividade que não essa? 
Nego da Pesca: Comecei a pescar em 1984, com companheiros da pesca, em Jacaraipe, no município de Serra-ES. Não me vejo longe da pesca, não me vejo em outra atividade.

Ascom: Durante o trabalho com a pesca, o que mais lhe encanta e proporciona prazer?
Nego da Pesca: Bem, sempre fiz a pesca em mar aberto, com meus companheiros. E o que mais me encanta nisso é a união dos pescadores. Quando vamos pescar, vão cinco pescadores em uma embarcação com espaço de 20m², durante quinze a vinte dias, e depois de todo esse tempo chegamos em terra alegres e satisfeitos, felizes mesmo. Às vezes nós vemos as pessoas vivendo com todo conforto, mas insatisfeitas, nós não, nossa união nos da motivação e alegria para pescar. E essa alegria vem justamente da solidariedade dos companheiros, além de ter a certeza de trazer uma alimentação saudável para mesa dos brasileiros.

Ascom: O que você costuma pescar?  
Nego da Pesca: Dourado, Cação, Badejo, Cioba, Papa-terra, Garoupa, Baiacu, Dentão, Peroa, entre outras. 

Ascom: Quando consumimos o pescado vindo da pesca artesanal dizemos que esse é de qualidade. A que você atribui isso?
Nego da Pesca: Primeiro a Deus, por nos proporcionar esse meio ambiente com a diversidade de espécies de peixe que é a alimentação mais saudável, e aos heroicos pescadores que enfrentam o mar revolto, temporais e muita das vezes a solidão no mar, para trazer esse excelente alimento. E também porque não desrespeitamos o meio ambiente, o alimento é tirado sem prejudicar onde vivemos.

Ascom: Qual a quantidade de pescado que a pesca artesanal fornece ao mercado brasileiro? 
Nego da Pesca: 70% do peixe capturado no Brasil vêm da pesca Artesanal, segundo as pesquisas realizadas.

Ascom: Quais dificuldades você enfrenta hoje para pescar?
Nego da Pesca: A falta de políticas públicas para o desenvolvimento e preservação da pesca artesanal; perda de espaço para empresas petrolíferas, portos, estaleiros, gasodutos, minerodutos, pesquisas sísmicas, termoelétricas, poluição e as unidades de conservação. Ou seja, violação do território pesqueiro, as ameaças ao nosso território pesqueiro são nossas dificuldades.

Ascom: Você faz parte do Movimento de Pescadores e Pescadoras. Como é a ação do movimento frente a essas ameaças?
Nego da Pesca: A ação do movimento significa mobilizar e conscientizar o maior número de pessoas, não só da pesca, mas de toda a sociedade, para defender a garantia do território pesqueiro. Através de encontros estaduais, regionais e nacionais, tiramos as ações para nos organizarmos nas bases e atuarmos junto ao Poder Público, Ministério da Pesca, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Superintendência de Patrimônio da União, Ministério da Previdência Social, Secretaria da Presidência da República de Direitos Humanos, e a Sociedade Civil Organizada.

Ascom: Em relação  ao Ministério específico para a pesca, como você se sente em relação a ele? 
Nego da Pesca: Apesar de ter sido uma reivindicação dos pescadores artesanais, o Ministério da Pesca infelizmente não vem nos representado como deveria. Ele faz muitas ações que não nos considera.

Ascom: Percebemos essa ação do Estado brasileiro com diversos povos tradicionais, são políticas para invisibilizar essas populações. Quilombolas, povos indígenas, vazanteiros, pescadores e toda a diversidade de povos que existem no país são negados. Como o MPP está articulado com esses grupos? 
Nego da Pesca: Através de encontros para debater e expor as dificuldades de cada grupo, O MPP vem se articulando junto com as populações tradicionais. Nesses encontros, vemos como agir de forma conjunta para fortalecer as ações junto ao poder público. Pensamos em estratégias de resistência conjunta.

Ascom: Há um desrespeito por parte das grandes corporações e do Estado, especialmente da bancada ruralista, em relação à constituição brasileira. Como isso atinge as comunidades pesqueiras? 
Nego da Pesca: Impedindo o nosso acesso aos rios e lagoas, privatizam esses espaços, e reduzindo a área que temos para pescar, o que diminui o número de pescado, e enfraquece a sustentabilidade do setor pesqueiro. Isso significa uma ameaça ao nosso modo de vida, logo as comunidades tradicionais que tanto contribuem para a sociedade.

 Ascom: O território é a casa do pescador, o que ele significa para você?
Nego da Pesca: Sustentabilidade, condições de dignidade para família e a garantia da preservação da cultura do pescador.

Ascom: Qual a importância de se garantir o território da pesca artesanal? 
Nego da Pesca: A certeza que iremos continuar trabalhando, e que serão respeitados os nossos direitos e o cumprindo com nossos deveres.

Ascom: Estamos acompanhando as atividades da Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras. Por que essa estratégia é tão importante para a causa de pescadores e pescadoras artesanais? 
Nego da Pesca: Essa estratégia é de extrema importância, pois ela propõe um projeto de lei de iniciativa popular que envolve toda a sociedade. Esse projeto busca que o Estado brasileiro reconheça oficialmente o distrito das comunidades tradicionais pesqueiras e dê as condições necessárias para que as comunidades continuem existindo de acordo com seus modos de ser, criar e fazer.

Ascom: Próximo domingo, 29, comemora-se o Dia do Pescador e da Pescadora Artesanal, pois é dia de São Pedro, padroeiro das comunidades pesqueiras do Brasil. Como sua comunidade passa esse momento? 
Nego da Pesca: Temos atividades culturais, como o Congo que acontece todo dia 29 de junho. Nesse mesmo dia, temos a puxada do barco, da praia ate a Igreja da comunidade, nela fincamos o Mastro em homenagem a São Pedro.

Ascom: Quais considerações finais?
 Nego da Pesca: Considero de extrema importância a ação do MPP, com apoio do CPP, para difundir, unir e fortalecer o movimento nos 27 estados do Brasil. Com isso, conseguiremos intensificar a mobilização para forçar os governantes a assegurar a nossa permanência nos territórios tradicionais.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Países reconhecem o papel vital da pesca artesanal

Do site da Adital

Os países membros da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) aprovaram recentemente uma série de diretrizes de amplo alcance que impulsionarão o papel já vital dos pescadores artesanais na contribuição à segurança alimentar mundial, à nutrição e à erradicação da pobreza. As “Diretrizes Voluntárias para garantir a pesca sustentável em pequena escala no contexto da segurança alimentar e da erradicação da pobreza” estão desenhadas para apoiar milhões de pescadores artesanais do mundo, em particular nos países em desenvolvimento, promovendo seus direitos humanos e salvaguardando um uso sustentável dos recursos pesqueiros, dos quais dependem para sua subsistência.

A pesca artesanal representa mais de 90 por cento da pesca de captura do mundo e dos trabalhadores do setor pesqueiro – cerca da metade dos quais são mulheres – e fornece ao redor de 50 por cento das capturas mundiais de peixes. É uma valiosa fonte de proteína animal para bilhões de pessoas em todo o mundo e, frequentemente, sustenta as economias locais nas comunidades costeiras e nas que vivem nas margens de lagos e rios.

Mas apesar da sua importância, muitas comunidades de pescadores artesanais continuam sendo marginalizadas. Frequentemente, se encontram em zonas remotas com acesso limitado aos mercados e aos serviços sanitários, de educação e outros serviços sociais. Os pescadores em pequena escala podem ter dificuldades para fazer ouvir sua voz.

Os pescadores artesanais e os trabalhadores do setor pesqueiro enfrentam uma série de desafios, desde condições de trabalho inseguras e insalubres e a falta de infraestruturas para enfrentar a contaminação, a degradação ambiental, a mudança climática e os desastres que ameaçam os recursos dos quais dependem para sua subsistência. Também podem sofrer devido às lutas de poder em condições desiguais e sistemas de propriedade inseguros dos recursos da terra e da pesca.

As Diretrizes Voluntárias aprovadas têm, portanto, caráter amplo, e vão desde medidas para melhorar os sistemas de governança da pesca e as condições de trabalho e de vida a recomendações sobre como os países podem ajudar os pescadores artesanais e os trabalhadores do setor pesqueiro a reduzir as perdas e o desperdício pós-colheita de alimentos.

“Essas diretrizes representam um enorme avanço. São uma ferramenta importante que promoverá a implementação de políticas nacionais que ajudem os pescadores artesanais a prosperar, a desempenhar um papel ainda mais importante em garantir a segurança alimentar, promover uma nutrição adequada e erradicar a pobreza. A FAO se compromete a ajudar os países a aplicar essas diretrizes”, salienta o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva.

Instrumento único em seu gênero

Como primeiro instrumento internacional dedicado inteiramente à pesca em pequena escala, as diretrizes pedem coerência nas políticas para assegurar que a pesca em pequena escala possa contribuir plenamente para a segurança alimentar, a nutrição e a erradicação da pobreza.

Em particular, destacam a importância de respeitar e realizar os direitos humanos e a dignidade, e a necessidade de igualdade de gênero em todo o subsetor, ao mesmo tempo em que insta os países a garantir que os pescadores artesanais sejam representados nos processos de tomada de decisões que afetem seus meios de vida.

As novas Diretrizes complementam os instrumentos internacionais vigentes, como o Código de Conduta para a Pesca Responsável da FAO (1995) e as Diretrizes voluntárias sobre a governança responsável da propriedade da terra, da pesca e dos bosques, do Comitê de Segurança Alimentar Mundial (2012).

Com informações da FAO.
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Confira o  Pronunciamento da Sociedade Civil Mundial quando da aprovação das Diretrizes Internacionais para a Pesca de Pequena Escala durante o Comitê da Pesca da FAO (COFI) no dia 10.06.2014, clique aqui.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Rio São Francisco pede socorro. Revitalização urgente!

Por redação do blog Médio São Francisco 

O Rio São Francisco, também chamado de Opará, como era conhecido pelos indígenas antes da colonização, ou popularmente de Velho Chico, é um rio brasileiro que nasce na Serra da Canastra no estado de Minas Gerais, a aproximadamente 1200 metros de altitude, atravessa o Estado da Bahia, fazendo a divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas. Por fim, deságua no Oceano Atlântico, drenando uma área de aproximadamente 641.000 km² e atingindo 2.830 km de extensão.

O Rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas e tem cinco usinas hidroelétricas. O nosso rio da Integração Nacional, agoniza e se a tão sonhada REVITALIZAÇÃO não iniciar urgentemente, o pior poderá acontecer, o rio poderá morrer e esta morte visível do Rio São Francisco só não é observada pelos Políticos e Governos que foram criados para serem do povo e para o povo, mas protegem unicamente aos interesses empresariais e ao poder econômico. A destruição das matas ciliares, os diversos esgotos jogados no rio, a falta de amor de alguns ribeirinhos que introduzem extensas áreas de pastagens e culturas de subsistência nas margens e aplicação de agrotóxicos e a pesca e caça predatória, exterminando peixes e animais, uns por falta de conhecimento, e outros por interesse da ganancia pelo bem do capital, a exploração do carvão existentes ao longo do Cerrado desde Barreiras até Carinhanha (com notas frias de Barreiras e Vanderlei), tem sido fatores negativos que vem contribuindo com a destruição das águas do Velho Chico.

Um rio que há mais de quinhentos anos é fonte de vida e riqueza está morrendo aos poucos e os nobres políticos não movem uma palha para resolver a questão da devastação do Rio, e ao invés de executarem o projeto de revitalização, estão realizando a transposição das águas do Rio através de obras que não passam de obras eleitoreiras. Em Malhada, no sudoeste da Bahia, Carinhanha e Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia, a situação é caótica, o rio nunca esteve tão seco como se encontra atualmente. O projeto de transposição foi executado em Malhada para o abastecimento de uma cidade com mais de 80 mil habitantes, a saber, Guanambi e nunca foi feito nada para manter e preservar a água do Velho Chico.

“Será que o velho Chico pode secar? Eu não pensei que fosse presenciar tamanho descaso com o nosso rio, há anos morando às margens direita (Malhada) ainda não havia visto algo parecido, nos últimos anos a situação tem se agravado bastante. O pior é não ver atitude relevante dos órgãos responsáveis – sim, sei que cada um pode fazer algo para contribuir com a recuperação – mas, nunca vi uma árvore sendo plantada além das que plantávamos no 21 de setembro no Rui Barbosa, o que eu quero enfatizar aqui é que não existe projeto sistemático de revitalização sendo realizado… Ai eu pensei: agora que vão fazer a transposição deve ser executado um grande projeto de revitalização das matas ciliares, que nada! Nenhuma árvore plantada! Apenas promessas eleitoreiras, “Ah, só vamos desviar 1% do rio” e de um em um porcento reduzido o rio segue cada vez mais lento em direção ao mar, interrompido várias vezes pelas grandes barragens ao longo do seu curso, os seus afluentes já não o encontram mais, todos interrompidos por pequenas barragens. Gostaria que não ocorresse o que aconteceu com um rio (Amu Dária) na Ásia Central, após tantos desvios ele já não chega mais ao mar, alguns anos depois o mar também não suportou e “secou” formando um grande deserto salino, já dizia Sá e Guarabira: dá no coração o medo de que o mar vire sertão”, publicou o malhadense Jonilson Carvalho em sua página do facebook.

“O Rio São Francisco “SANGRA”, assim como todo sangramento, se não cuidar, piora a saúde do” sujeito”, nesse momento, espero que os jovens, professores, assim como os pais que navegam nas redes sociais façam alguma coisa por aqui mesmo, pelo menos, quem sabe se o governo FEDERAL e os demais governos que integram este cansado e sofrido RIO possam se manifestar de alguma forma. Cada um de nós somos responsáveis pelo Rio são Francisco, assim como somos responsáveis pelos nossos filhos”, ressaltou o Vereador Fernando Azevedo de Serra do Ramalho. 

“Gente, vamos abraçar esta campanha, o rio esta morrendo, que tristeza, sem água não há sobrevivência. O rio está secando, quem não economiza e está pensando que é brincadeira e acha que festa é mais importante, olha o que esta acontecendo sem que ninguém divulgue ou faca ações sobre esta gravidade, estamos em estado de calamidade publica esta noticia nos interessa, mas ninguém divulga, porque meu Deus existe gente assim,
tem algumas pessoas que não acreditam nas escrituras sagradas, a água vai acabar”, ressaltou Márcio do Rio, morador de Serra do Ramalho.

Atenção Políticos da região! Rio São Francisco pede socorro. Está mais do que na hora de se reunirem para cobrar urgentemente a tão sonhada Revitalização do Rio São Francisco. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Oficinas da Campanha pelo Território Pesqueiro chegam à São Paulo

Entre 2 e 5 de junho, a Campanha Nacional pelo Território chegou ao estado de São Paulo através de oficinas sobre a ação e seu projeto de lei. As visitas contaram com a participação da secretária executiva do CPP Nacional, Mª José Pacheco, dos pescadores, Isac de Oliveira/RJ, e Mª Alice Borges/BA, e do integrante da associação de advogados da Bahia, Pedro Diamantino. Confira o relato da equipe sobre essa experiência.

A visita e oficina de aprofundamento sobre o projeto de Lei proposto pela Campanha pela Regularização do Território Pesqueiro teve início com a visita da equipe ao professor da Universidade de São Paulo (USP), Antônio Carlos Diegues. Foi uma conversa muito prazerosa e proveitosa na qual foram levantados momentos importantes da história da organização dos pescadores e das pescadoras no Brasil, bem como as preocupações que compartilhávamos diante do modelo de desenvolvimento e as políticas excludentes praticadas pelo Estado brasileiro. O professor Diegues externou grande preocupação em relação à criação das unidades de conservação integrais que estão expulsando e/ou restringido as atividades das comunidades tradicionais nos seus territórios, grande foco de conflitos com os pescadores no sul e sudeste do país.

Em seguida, partimos para o município de Iguape onde visitamos pescadores e pescadoras da praia da Jureia, na Barra do Ribeira. Na beira do Cais, o bate papo sobre a vida, as dificuldades, e as preocupações dos pescadores foram os principais temas da conversa. Durante a noite, fizemos uma oficina sobre a Campanha pelo Território Pesqueiro e seu projeto de Lei. A troca de experiência foi enriquecedora. Percebemos as lutas e o senso crítico dos pescadores e sua riqueza cultural. Os pescadores apontaram como principal desafio a barragem acima do rio que vem causando impactos na pesca e trazendo prejuízos às suas famílias, e as unidades de conservação integrais que tem ameaçado a atividade tradicional.

Seguimos na manhã seguinte para a cidade de Cananeia. Lá vimos uma realidade muito desafiadora envolvendo a pesca industrial, tanto do ponto de vista da degradação ambiental e falta de controle pelo Estado, como pelas violações de direitos que os trabalhadores da pesca industrial sofrem. Ouvimos situações de realidades similares ao trabalho escravo, na qual a precariedade de trabalho é gritante. Pela noite, realizamos outra oficina sobre a Campanha onde a mesma riqueza cultural e ambiental foi partilhada, além dos grandes desafios para as comunidades com tantas unidades de conservação, de integrais a sustentáveis.

A colônia de pescadores de Cananeia nos acolheu e no final da oficina ficou o compromisso de que os pescadores das comunidades, a colônia e os representantes de outras entidades assumiriam a campanha naquela região a partir daquele momento.

Concluímos o processo da Oficina em São Paulo  dizendo que foi uma experiência rica, desafiadora e que aponta a perspectiva de articulação com os pescadores e pescadoras do estado.